Optimus Alive 12! – Reportagem do 2º dia

    O dia que ficou marcado por uma maratona magnífica de 3 horas de The Cure, que contrariamente aos The Stone Roses do dia anterior, estão longe de estar envelhecidos em palco. Mumford &  Sons e Noah and The Whale aclamados na sua estreia e Tricky soberbo no Palco Heineken. 

Imagem: Jn

    O 2º dia do Optimus Alive começou com a actuação dos portugueses We Trust no palco Optimus. A banda liderada por André Tentúgal ia aquecendo o palco para muitas actuações que aí viriam, como Mumford & Sons e o tão esperado regresso dos The Cure. Recebendo um bom feedback daquela audiência, os We Trust cumpriram bastante bem a sua tarefa no Palco Optimus, demonstrando a qualidade que uma banda de carácter nacional pode ter em um palco principal de um dos melhores festivais da europa.

    O indie folk britânico chegava com Noah and The Whale por volta das sete e meia da tarde. A estreia da banda em território português foi bastante positiva, cativando aos poucos aquela audiência repleta de diferentes nacionalidades. Descobrimos imediatamente um grupo de espanhóis e britânicos que se haviam conhecido ali mesmo no festival, partilhando experiências e muita cerveja. Avistavam-se pequenas rodinhas onde se fazia a festa no meio. De braços dados, o público ia dançando de forma alegre ao som do folk britânico. Fink foi experimentando aquele público curioso, conseguindo criar um formidável ambiente através de temas como “Just Before We Met”, “Give a Little Love” e “Rocks and Daggers”.

Imagem: Jn

            No Palco Heineken, bem no fundo do recinto, já se ia ouvindo a banda de indie rock The Antlers. Encantadora através da sua melodia emotiva, a banda conquistava os corações da audiência presente com um sonoro brilhante e falsetes sensacionais e totalmente genuínos por parte de Peter Silberman. Ouviam-se comentários como “They rock”, “This guys are awesome” e também em português “Isto é lindo”.

    Caminhámos novamente para o Palco Optimus para escutar e observar Mumford & Sons com extrema curiosidade. Pelo caminho ouvimos alguém comentar que Tricky andava por ali a passear, apesar de não o termos avistado. Voltando ao folk, os Mumford & Sons tinham uma imensa plateia ansiosa à sua espera. Mumford, incapaz de tocar guitarra devido a uma lesão na sua mão direita, levou um guitarrista amigo para fazer a sua parte na guitarra. Começava novamente uma grande festa onde se dançava e cantava ao som da alegria transmitida pelos britânicos com os temas “Little Lion Man”, “Roll Away Your Stone” (que ouvimos o público cantar bem alto) e “The Cave”. Houveram lágrimas, sorrisos e até bonitos cânticos daquele público delirante que observava com atenção Mumford e companhia. Ainda tivemos o privilégio de ouvir Ben Lovett falar com algum esforço português.  A banda despediu-se finalmente com um “Thank you, see ya soon” –  Esperemos que sim.

Imagem: Sol

    De volta ao Heineken, encontravam-se os Awolnationem cena. Com uma enérgica adesão, o público esperava ansiosamente pelo êxito “Sail”. O vocalista, Aaron Bruno, tinha um ar gracioso, capaz de cativar qualquer um dos presentes. Não assistimos a grande parte do concerto, mas mesmo assim, podemos afirmar que foi aprazível.

    De seguida, entraram os Morcheeba no Palco Optimus, em substituição dos Florence and The Machine. Era notável a decepção do público ao não assistir a Florence, mas, este público manteve-se em frente ao palco principal. A vocalista, Skye, fez questão de referir que só souberam que iam tocar no Optimus Alive no dia anterior às 2 da tarde, e prometeu dar o seu melhor para substituir os tão esperados Florence and The Machine. O começo foi lento e pouco entusiástico, mas, com o decorrer do concerto, Skye foi pedindo a adesão do público, obrigando-o a cantarolar em alto e bom som. Pediu desculpa várias vezes e acabou até mesmo por cantar um pouco da cover dos Florence and The Machine, “You’ve Got The Love”. Sempre simpática e sorridente, a vocalista conseguiu motivar o público com alguns temas mais populares como “Otherwise” e “Friction”. Ocorreu ainda, um momento memorável onde Skye pede ao público para saltar com ela e toda aquela plateia salta simultaneamente. Para encerrar um concerto bem conseguido apesar de difícil, a banda tocou com inteligência os seus êxitos “Rome Wasn’t Built In a Day” e “Be Yourself”.

Imagem: Jn

    O momento mais esperado da noite chegava com a entrada de Robert Smith, Simon Gallup, Jason Cooper e Roger O’Donnell, os míticos The Cure. O público entregou-se desde o início apesar do frio e algumas desistências provocadas por este. Soavam os primeiros temas “Plainsong”, “Pictures of You” (que levava o público ao rubro) e “Lullaby”. Declaramos que Robert Smith, apesar de freak, é absolutamente encantador, enviando alguns sorrisos tímidos para o público entusiasmado e transmitindo aquela postura um pouco teatral que o torna tão especial. Notava-se uma extrema emoção por parte de muitos, provocada pela viagem no tempo marcada por uma nostalgia imensa ao som de “Lovesong”, tema que remetia para os tempos em que haviam posters de Robert Smith em diversas casas de adolescentes que hoje se encontram por volta dos 30/40 anos. Haviam ainda muitas canções para ouvir e recordar naquelas 3 horas constituídas por 36 temas. “Friday I’m In Love”, “Just Like Heaven” e “In Between Days” metiam aquele público a cantar em uníssono. Saíam do palco pela primeira vez após 25 temas. Um membro do staff ainda amachucou uma das setlists e enviou para o público que lutava deslumbrado por aquela lembrança com imenso valor emocional. Após 2 ou 3 minutos, Robert Smith e companhia voltam ao palco para interpretar “The Same Deep Water as You”, recebidos com enormes aplausos e devoção de um público comovido e repleto de felicidade no seu olhar. Chegava o segundo encore com “The Lovecats” e “The Caterpillar”, melodias que levavam a audiência à loucura, dançando e cantando, saltando e literalmente gritando as letras expressivamente. Ainda houve tempo para “Close to Me”, “Why can’t I be You?” e “Boys Don’t Cry”. Um encore extraordinário, repleto de êxitos que nos encantavam cada vez mais, nos deixavam completamente arrepiados e com uma pequena lágrima ao canto do olho à medida que os Cure se preparavam para terminar aquele concerto magnífico de três horas. “Querem uma canção rápida, ou, uma canção lenta?” – perguntava Robert Smith, que recebeu rapidamente a resposta que daria origem a “Boys Don’t Cry”, o tema que marcou o ponto alto da noite. Cantado em uníssono, o tema deu origem a uma viagem aos anos 80, que marca o hino de uma geração que muito se identifica com esta primorosa canção. O público já abandonava o palco pensando que era a última, mas, a banda regressava para mais duas. “10:15 Saturday Night” e “Kiling an Arab” fizeram-se ouvir ainda no Passeio Marítimo de Algés perto das 3 da manhã, marcando o final de um concerto que ficará decerto para a história de muitos dos presentes. No final, ainda se ouviam elementos do público gritar em tom de brincadeira: “Mais duas horas!” – após a resistência a umas soberbas 3.  

Imagem: Rtp

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