Terceiro Direito EP (Review)

De uma crew de graffiti ao hip-hop no seu melhor nível, os Terceiro Direito têm novo EP homónimo, com direito a passagem pela final do Festival do Termómetro e muito groove intercalado.

No final da década de 90, um grupo de amigos de Cascais já sondava a cultura do hip-hop, seguindo gigantes como os Fugees da sublime Lauryn Hill. Em 1999 entravam oficialmente nestas andanças, ao utilizarem certos samples dos estadunidenses para a gravação da sua primeira mixtape. Porém, foi com a ajuda de Dj TaBernas que tudo começou com o single “Judas é Cabrão”, intitulando-se finalmente como Terceiro Direito, local onde todo o percurso se iniciou. Após algumas parcerias com os mais diversos mc’s nacionais, passagens pela rádio e singles que marcaram este trajeto de 14 anos, marcado por algumas mudanças na sua line-up e progressão no seu sonoro. Os Terceiro Direito são Kastiço, Platão, Kamões, Ciclone, Crânio, Francisco Ribeiro, Gonçalo Rebelo e Da Voice. Oito rapazes com desejo de marcar o hip-hop tuga através de temas sólidos e repletos por um ritmo contagiante. Relembramos que os Terceiro Direito fizeram parte dos seis finalistas da última edição do Festival do Termómetro.

O pontapé de saída é dado com imenso groove, denotando-se desde logo uma influência do funk e soul no qual esbarrávamos no tempo dos Fugees. É o exemplo de hip-hop com um toque ritmado que entra da melhor maneira no ouvido. O estalido de dedos ao ritmo da bateria é inevitável. O lirismo sublinha, como o nome indica, diversos contratempos que surgem no percurso dos Terceiro Direito. O hip-hop em estado sólido emerge com “Coletivo”, expressando a forte união dos Terceiro Direito. Particularmente, os 3º Direito têm aquele beat próprio que se aprecia no hip-hop, sempre ritmado com as rimas que expressam.

“Fado da Pouca Sorte” é tema que retrata realidades sociais, e é exatamente nisso que o clássico hip-hop assenta. HIV é um tema cada vez mais debatido na sociedade e, uma realidade definida em formato de canção. Problemas sociais é o assunto do momento e, “Crise King Size” não foge à temática. Sabemos que o país se encontra num estado miserável, e é nisso que esta faixa se foca. O hip-hop é o auge da expressão musical e como tal, os Terceiro Direito não fugiram à regra de apelar à sensibilidade dos portugueses quanto ao assunto que perturba centenas de famílias diariamente. Este é um apelo à sociedade, uma mensagem que passa em formato ritmado, um manifesto que define bem a situação atual.

“Encosta e Relaxa” traz-nos um “reggae à portuguesa”. Não é das melhores faixas deste EP em termos líricos, visto oferecer um discurso um pouco juvenil e ligeiramente fora do ritmo. No entanto, melodicamente a faixa tem ritmo interessante caracterizado por um flow descontraído.

O EP dos Terceiro Direito termina com a faixa “Não Mudava Nada”, um dos temas com maior impacto neste disco, capaz de prender o ouvinte através daquelas rimas bem traçadas.

EP de nove faixas dos Terceiro Direito traz boa disposição nas faixas de maior groove e um manifesto evidente que explicita causas sociais ocorrentes atualmente. Um disco promissor de um futuro sólido.

Faixas favoritas: “Contratempos” e “ Fado de Pouca Sorte”

capa

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