seBENTA – Coração Parte Um (Review)

Coração Parte Um” bombeia riffs de caráter notável, gritando de pulmão cheio as palavras de um trio que tem o seu lugar bem fixado no top junto das melhores bandas de rock nacionais.

De regresso aos discos, os seBENTA conduzem-nos numa viagem repleta de um rock genuíno, refrões intensos e um lirismo bem projetado, como já nos é familiar.

Formados em 2004, o trio lisboeta constituído por Paulecas (baixo e voz), André Fadista (bateria) e João “Quico” Barros (guitarra), iniciava um projeto promissor que levou 2 anos até ao lançamento do seu primeiro trabalho. “O Beijo” foi o primeiro álbum da banda, lançado em 2006. Seguiu-se “Efeito Secundário” em 2008, com a produção de Cajó. Ambos contaram com a participação especial de Gui, saxofonista dos Xutos e Pontapés. Para além daquele sonoro característico, os seBENTA mantiveram a tradição nos seus discos, contando sempre com a presença de um poema de José Luís Peixoto no seu final, citado pela atriz Margarida Cardeal. “Coração Parte Um” marca o regresso da banda aos discos, lançado no passado mês de Janeiro.

Soam aqueles riffs que guiam a “Fuga Eterna” até ao refrão que sopra pelo coração intensas palavras que nos oferecem a perspetiva do excelente disco que se segue. A primeira faixa dita: Missão Cumprida. Surge um toque de bateria conexo com o baixo no mesmo compasso. Mas é naquela bridge anteriormente ao último refrão que surge um ritmo frenético no qual predomina o toque seBENTA, com aquela originalidade que se aprecia num álbum como este.

“Agora, o Silêncio Necessário”, poema de José Luís Peixoto, surge em dois formatos distintos e, identicamente soberbos. Primeiro em formato de canção, surgindo no fim em modo de citação por Margarida Cardeal através de uma dicção que encanta e projeta tais palavras encadeadas num poema que expressa o “silêncio, um ponto no universo que um dia teve voz”. A banda não fica atrás de Margarida Cardeal no que toca a expressar aquele poema de José Luís Peixoto, pelo contrário, o tema espelha exatamente tais palavras transformadas em tonalidades expostas em tempo certo. Destaca-se o excelente trabalho na bateria de André Fadista e, como não poderia deixar de ser mencionado, aquele toque de guitarra bem impetuoso que sublinha do que são feitos os seBENTA.

 Há ainda aquela “Flecha Certeira” onde o baixo é soberano, “Meia Conversa” que surge entre um toque frenético e outro, de uma guitarra bem característica com a qual já nos familiarizamos e não queremos largar até ao final do disco e, onde “Dois Entre Muitos” nos obrigam a terminar diante do ideal, no qual nos espera Margarida e Peixoto.

“Coração Parte Um” é um disco de 9 faixas que roça a perfeição da banda, a qual cria novas expetativas cada vez que um novo trabalho é lançado. Porém, os seBENTA mostram neste álbum que o vocábulo “desilusão” não se encontra no seu dicionário, tornando cada álbum num pedaço de arte esboçado em sonoridades surpreendentes.

Faixas favoritas: “Fuga Eterna”; “Agora, o Silêncio Necessário”, “Flecha Certeira”

coraçao parte um

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