Luísa Sobral – There’s a Flower In My Bedroom (Review)

Dois anos passados após o lançamento de “The Cherry On My Cake”, atuações ao lado de grandes referências da música mundial e uma atuação no “Later With Jools Holland”, conduzem Luísa Sobral até “There’s a Flower In My Bedroom”, o segundo álbum de originais da artista portuguesa com a participação de Jamie Cullum, António Zambujo e Mário Laginha.

“There’s A Flower In My Bedroom” marca o regresso aos álbuns por parte da cantora e compositora portuguesa. Um álbum que apresenta características mais pessoais, onde a melancolia e histórias de amor predominam ao lado de melodias que enchem compassos de harmonia.

Com apenas 16 anos, Luísa Sobral dava os primeiros passos no panorama musical através do programa de talentos, Ídolos, no qual conseguiu o terceiro lugar. Rumo aos Estados Unidos da América, a portuguesa ficou pelo território americano até 2009, quando terminou o curso de música na Berklee College of Music. Mas foi em 2011 que a artista ganhou ímpeto através do seu primeiro álbum “The Cherry On My Cake”, que conta com êxitos como “Xico” e “Not There Yet”, atingindo um lugar nos charts nacionais e um Galardão de Platina. Em 2012, Luísa Sobral divide o palco com Melody Gardot e ainda marca presença no programa britânico “Later With Jools Holland”. Na Primavera de 2013, chega-nos “There’s a Flower in My Bedroom”, o mais recente trabalho de uma artista completa com parceiros de luxo. Mário Laginha, António Zambujo e Jamie Cullum integram 3 temas neste disco de 17.

É com uma viagem a Paris que cantautora nos oferece a sua primeira história. Paris, cidade onde o céu é azul e o coração permanece. A empatia criada por esta primeira faixa é imutável, quase como se nos carregasse até àquelas ruas de Paris onde ecoam as sonoridades de um acordeão nostálgico.

“Mom Says” é o primeiro single do disco. Um tema que descreve um rapaz estranho levado pela imaginação da cantora, que descreve o processo criativo como algo que foge ao racional. Por aqui afirma-se que as sonoridades surgem sem qualquer idealização das mesmas. Se o contrário ocorresse, qualquer sonoridade não passaria a ser mais do que uma estruturação musical demasiado sistematizada.

Foi em 2011 que Luísa Sobral se cruzou com Jamie Cullum no Cooljazz Fest em Cascais. Dois anos depois, a cantora convida o britânico para interpretar um dos temas deste disco. “She Walked Down the Aisle” entra num tom mais jazz, numa melodia com que ambos estão familiarizados através de um piano conexo a um lirismo interpretado em dueto nesta que é mais uma história de amor. Um ombro amigo que espera pelo reconhecimento da sua amada fá-lo sentir pequeno enquanto sofre na sombra daquele corredor. Histórias de um imaginário que se confundem com a realidade de muitos que escutam este fabuloso disco.

“Quando te vi” é a segunda cantada em português, após a reprodução de “Sr. Vinho”. Uma melodia acústica com acordes puros onde a mágoa de mais uma deceção amorosa se serve com a doce voz da compositora.  

Este disco apresenta mais do que uma novidade. A primeira é em espanhol. Intitula-se de “Cuantas Veces” e assemelha-se ao tom ritmado de “O Engraxador”, que integra o primeiro álbum da cantora.

António Zambujo oferece-nos “Inês”. Mais um dueto sobre amor, com características que fogem ao registo do jazz, edificando um tema maravilhoso em formato de poema. Cantado em português, como só os nossos poetas sabem fazer.

there's a flower in my bedroom

Há ainda mais uma novidade. “I Remember You” acarreta folk através de um banjo que faz toda a diferença. Da letra à melodia, este é um tema que merece a posição de single. “I Remember You” acha-se um tema surpreendente. Um tema que é impossível não adorar.

“The Last One”, como o nome indica, representa a última faixa deste álbum que já ocupa o primeiro lugar nos charts portugueses. Com a participação de Mário Laginha, este disco termina em tom nostálgico, onde a voz de Luísa nos faz pedir para tocar mais 17 canções como estas.

“There’s a Flower In My Bedroom” acarreta criatividade. Uma criatividade que nos encaminha para um desassossego futuro, enquanto esperamos por mais um álbum desta que se considera uma das melhores cantautoras do momento.  

Faixas favoritas: “Mom Says”, “She Walks On The Aisle”, “Quanto te vi”, “Will You Find Me?”, “Inês”, “I Remember You” e “The Last One”.  

– Ana Camilo

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