Chapa Dux em Entrevista: “Queremos que as pessoas parem um bocadinho para pensar e que tomem consciência”

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Os Chapa Dux passaram por Portalegre na passada quinta-feira, 2 de Maio, para um concerto na Semana Académica da cidade Alentejana. A Live Shows Portugal esteve à conversa com a banda onde se discutiu desde política ao reggae nacional. Os Chapa Dux contam os detalhes do seu percurso desde 2008 até 2013. 

Vocês surgiram em 2008. O que é que vos influenciou a tocar reggae? Visto que este ainda se encontra a crescer em Portugal. 

O que nos influenciou foi exatamente esse nosso gosto em comum pelo reggae. Maioritariamente influenciado pela zona de onde nós vimos, sendo influenciados pela malta mais velha que tocava bom reggae e que sempre foram boas referências, que cresceram a ouvir esse som. Pegamos nos instrumentos e o som saiu naturalmente.

Desde aí, o vosso processo de composição sentiu alterações?

Fomos alterando bastante. Nós ao inicio demorávamos muito tempo a compor uma música porque achávamos que nunca estava no ponto e que faltava sempre qualquer coisa. Agora, sentimos bastante que crescemos e ganhamos maturidade musical. Andamos a estudar música e as coisas saem mais fluidas. Tecnicamente, antes as coisas custavam mais a sair, agora saem com maior naturalidade. Também passa um pouco por uma identificação, visto que já sabemos onde queremos chegar.

Quanto ao reggae nacional, acham que este está a crescer? 

Sem dúvida. O reggae está a crescer bastante. E pela mão, não só de Chapa Dux, como por exemplo Richie Campbell que tem chegado a imensa gente, sendo um excelente performer. Temos mais malta como os Terrakota que tem tido um percurso enorme nestes últimos anos. Tem aparecido malta bem poderosa, e o reggae está sem dúvida a crescer. O público do reggae também tem um gosto cada vez mais eclético, estando a conhecer cada vez mais bandas de vários sítios e vai às atuações dando apoio. E isto é bom, para as bandas se sentirem apoiadas. 

“Be Strong” é o vosso primeiro álbum de originais. Qual a história por detrás do nome deste álbum?

“Be Strong” é sem dúvida a grande mensagem da banda. Ter uma banda em Portugal neste tempo de crise que reflete essa mensagem. A música tem que vir totalmente do coração e nós ouvimos sempre muitas represálias seja pela nossa música, seja por não estarmos a seguir o caminho normal, por estarmos a estudar outras coisas. Nós temos sem dúvida que ouvir muita porcaria e seguir em frente nos nossos caminhos. O nosso álbum foi completamente uma cena assim. Nós ultrapassamos muitos obstáculos para ganhar o RRW, pois nada nos foi dado do pé para a mão. Tivemos sempre que enfrentar muita coisa, e daí o “Be Strong”, é sem dúvida uma característica nossa. Queremos passar para as pessoas esta aprendizagem, agora que estamos numa altura de crise e que é importante passar uma mensagem que motive as pessoas, uma mensagem de força. 

Qual a vossa faixa favorita deste álbum?

Crossfire.

Este disco foi lançado no verão passado. Já pensam em novo trabalho?

Já. Não só estamos a pensar como já estamos a por em prática. Já temos uns quantos temas compostos que nos agradam e que achamos que para breve possa sair um novo álbum de Chapa Dux.

Para breve, podemos dizer no Verão?

Não neste Verão. O Verão agora é a altura de não pararmos. É uma altura de muito trabalho cá fora, para chegar às pessoas e nós queremos apanhar essa onda. Alguns temas que saíram no próximo álbum já podem ser ouvidos ao vivo. Esta fase é mais para mostrar esses sons ao vivo e desfrutarmos disso. Quando chegar o Outono então vamos para o estúdio naquele processo natural, numa altura para hibernar. Esta experiência de tocar ao vivo também nos dá a noção de como o público reage e isso acaba por influenciar o processo de desenvolvimento do álbum. 

Sei que as vossas sonoridades refletem os problemas da sociedade atual. Em “Politician” observamos um pouco isso, relativamente à política atual. O que é que sentem relativamente à política atual?

Nós temos presenciado muita falcatrua neste país, pois não é à toa que as pessoas dizem que estamos todos numa grande crise. A nossa atitude passa muito por querer desmascarar o que se anda por aí a passar e também ter uma voz ativa na sociedade. Queremos ser interventivos, mas não sendo necessário impulsionar uma revolução ou um 25 de Abril. Queremos que as pessoas parem um bocadinho para pensar e que tomem consciência. Depois, as pessoas lá farão a revolução por elas próprias. 

Então, o que estão a tentar fazer é exatamente um apelo?

É uma consciencialização. Dizer às pessoas o caminho que têm que seguir. 

Vocês estiveram em Calpe no mês passado e já tiveram atuações no estrangeiro como no South by Southwest em Austin. Falando no SXSW, como reagiu o público no exterior às vossas canções?

Foi muito engraçado. Primeiro, muitos nem sequer sabiam que existíamos em Portugal. Eles achavam que nós eramos das poucas bandas de reggae que há por esses lados e na Europa, porque eles são muito ligados à cena deles. Reagiram ao inicio com um pouco de estranheza mas, no final aquilo deu uma festa. Foi engraçado ver que as pessoas estavam-se a identificar tanto com as letras, estavam realmente a ouvir a nossa mensagem. E acontece que às vezes nós aqui não conseguimos transmitir essa mensagem tão bem. Lá, consegues ver as pessoas mesmo atentas. Por exemplo com a “Politician”, vieram mesmo perguntar-nos porque é que tínhamos uma atitude tão forte e tão crítica, e acabamos por explicar a crise que se vivia aqui em Portugal. Foi uma experiencia enorme, uniu-nos bastante.

E quanto ao público português, acham que conseguem de imediato criar empatia através das letras e interação nos espetáculos?

Principalmente ao vivo. É engraçado quando normalmente nós quando chegamos a um sítio, hoje em dia, quase toda a gente nos conhece. E as pessoas que não nos conhecem,  no final dos concertos costumam estar abraçados à música. Gostamos de terminar o espetáculo, arrumar as coisas e sentir aquela energia. 

Como foi colaborar com Messias dos Mercado Negro?

Foi muito bom. Já tínhamos tido essa experiencia quando lançamos um EP antes do álbum, e tínhamos trabalhado com o Junior dos Terrakota. E agora, chegar ao Messias é fantástico. Ele é uma alma incrível. Uma pessoa com um humor e um coração enorme. Foi muito bom trabalhar com ele e também viajar com ele para o Texas. Gostamos de tudo nele, ensinou-nos bastante. Foi uma grande influência para o resto do álbum. Foi um grande amigo. Não só enquanto estávamos a gravar o álbum mas também durante o RRW, no qual ele foi nosso padrinho. Para nós foi o padrinho mais dedicado de todo o concurso. Esteve sempre lá para perguntar se precisávamos de alguma coisa. 

Para além do reggae, o que costumam ouvir?

Nós ouvimos de tudo. Temos um baterista que esteve mais no punk rock. Temos um pianista que está totalmente dedicado ao jazz. Eu (Di) estudo jazz no Hot Club também. Mas nós ouvimos de tudo. 

Acham que isso vos influencia?

Sem dúvida. Basta vires a um concerto de Chapa Dux e consegues sentir todo a outra panóplia de cores com o nosso som. Nos gostamos de misturar o reggae com tudo o resto.

Di, vais participar na abertura de Legend (Bob Marley Experience). Entusiasmado com esta atuação?

Estou entusiasmado sim. Acho que qualquer músico português, na primeira vez que vai ao Coliseu é um marco. Vai ser a minha primeira vez no Coliseu e é um daqueles palcos que não esqueces a primeira vez. Mas sim, estou bastante entusiasmado. Não só vou abrir como vou participar com a banda, deixando já essa novidade. Eu, o Freddy Locks e a Maryjuh vamos também tocar com a banda. Vai ser uma experiência ótima. Aquilo tem nomes poderosíssimos do reggae, vai ser um groove imenso no Coliseu dia 10. 

Alguma mensagem final que queiram deixar à malta de Portalegre?

Passamos a nossa mensagem principal que já tivemos a falar. É importante ter força e acreditarmos em nós. Deixamos também uma mensagem de amor. Para os Chapas de Portalegre, “Be Strong”! Em tudo o que se passa e no que realmente acreditarem. 

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