Reportagem: 2º dia Optimus Primavera Sound

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Segundo dia do Optimus Primavera Sound marcado pela viagem no tempo com os Blur, o ideal dos Grizzly Bear, o regresso dos Swans e a formidável prestação dos Mão Morta.

No segundo dia do Optimus Primavera Sound no Porto, o Parque da Cidade recebeu uma audiência de 25 mil pessoas particularmente ansiosas pelo regresso dos Blur após uma década. Neste, encontrámos 4 palcos e 22 de bandas pela noite fora. Se subsistisse a possibilidade de nos dividirmos em várias partes, certamente não falhávamos um pela sua qualidade.  Mas chegar cedo ao Parque da Cidade no Porto não é tarefa fácil. A agitação na invicta não pára. Entre um festivaleiro de primavera e outro, lá chegávamos aquele ambiente multicultural já encontrado no dia anterior. O Optimus Primavera Sound tem essa particularidade simpática. É um festival com um ambiente distinto. Um ambiente hospitaleiro onde a toalha de picnic e a bicicleta são indispensáveis.

Eram cerca de 19:50h quando a Live Shows Portugal chegava ao recinto do festival. Local Natives de um lado no Palco Optimus e Daniel Johnston do outro no Palco ATP. Uma decisão dificultada levou-nos até ao palco principal onde estavam os indie rockers americanos. O quinteto de Los Angeles estreou-se no Porto com uma atuação pouco eminente. Os Local Natives traziam o seu mais recente trabalho “Hummingbird” para apresentar ao público português, mas estes não conseguiram despertar as atenções. A banda ofereceu uma atuação aparentemente apagada, escasseando na empatia com o público que ali se achava. “Bowery” dava início à abertura das hostilidades, seguida de “Breakers” e “Wide Eyes”. Apesar do carácter das suas sonoridades no seu “Gorilla Manor”, os Local Natives não saíram do seu habitat natural onde o folk se pronuncia mas não conquista neste final de tarde no Parque da Cidade. Para encerrar a banda interpretou “Sun Hands”, terceiro tema do seu primeiro trabalho. Uma mistura de riffs e toques intensos na bateria não chegou para conquistar o púbico adormecido. Apesar desta atuação desvanecida, a banda ganhou alguns pontos ao elogiar a cidade do Porto e seu ambiente afável.

Vamos agora para um dos momentos que mais se esperava nesta noite onde a primavera finalmente resolveu aparecer. Os Swans entravam em cena no palco Super Bock pelas 21:10h, onde já se achava uma plateia bem constituída para o primeiro momento de nostalgia. Na década de 80 já arrasavam nos palcos nova-iorquinos onde mostravam êxitos presentes em “Filth” ou “Greed”. Veteranos na cena do post-punk, os Swans oferecem-nos ondas de riffs intensos, uma progressão que nos conduz aos anos 80. Não podemos dizer que os Swans estão velhos e apagados, antagonicamente, podemos afirmar que a banda continua com aquelas sonoridades que aceleram batimentos cardíacos através de uma veemência desmedida. Sonoridades puramente agonizantes na sua exuberância, trouxeram os Swans numa experiencia estrondosa onde os que se encontravam mais perto, certamente saíram extasiados. Se os discos são eloquentes, a atuação destas seis criaturas é incontrolável.

O norte já é cenário característico da banda de Adolfo Luxúria Canibal. A banda bracarense que veio substituir Rodriguez ofereceu uma prestação puramente genial, entrando diretamente no top das melhores atuações do dia, e talvez no decorrer do festival. A tristeza de alguns por não assistir ao veterano do festival depressa desvaneceu com a atuação da banda nortenha no Palco ATP a meio da noite.  A sua origem marca o ano de 1984, e é a partir daí que os Mão Morta nos saudavam com os seus êxitos de carreira. Se num palco os Swans eram intensos, no outro os Mão Morta partiam completamente a loiça. Temas como “Cão da Morte” ou “Budapeste” conquistavam uma plateia deliciada por estes veteranos do rock português. Na estreia de Nick Cave em Portugal, eles marcaram presença assídua na primeira parte dos dois concertos. Agora, os bracarenses conseguem um lugar de destaque ao lado destes como  uma das melhores atuações do festival. “Oub’ Lá” de 1988 trazia êxtase a uma plateia irrequieta. E com razão. Os Mão Morta são incansáveis e aquele homem vestido de negro fez na perfeição a sua missão. A falta de um veterano trouxe a ocorrência de outro. Missão bem cumprida por parte dos bracarenses.

Vamos agora correr até aos Grizzly Bear no meio de tanta agitação em quatro palcos distintos. No Palco Optimus, os americanos traziam-nos sonoros experimentais de invejar e uma apresentação “Shields” feita a ultrapassar o espectável. Não esperávamos uma atuação tão boa por parte dos nova-iorquinos que aqueciam o palco para os Blur, mas estes meteram a plateia que emergia a mexer com brevidade. Quatro vozes translúcidas depressa nos captavam através de temas que marcam a sua carreira como “Cheerleader” de “Veckatimest” ou “Yet Again” que marca as suas sonoridades mais recentes. Não precisaram de grande alvoroço para criar uma atmosfera bem acolhida. O destaque para aquela voz angelical de Daniel Rossen faz-nos adora-los cada vez mais à medida que o concerto passa e muitos fecham os olhos dançando lentamente com uma espécie de olhar inclinado para o céu. O regresso desta banda a Portugal não poderia ter impressionado mais.

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Finalmente, o momento mais aguardado da noite chegava pela mão dos Blur a fechar o Palco Optimus neste que marcava o segundo dia. Dez anos após a sua última passagem por Portugal, soava “Girls and Boys” pela 1:28h da manhã. E que ovação esta que os britânicos recebiam através de uma plateia onde não subsistia o mínimo espaço para o mais curioso nas filas da frente. Um ambiente já ao rubro nesta viagem até 1994. Bem jogada foi “Popscene” que surgia logo de seguida no alinhamento dos quatro londrinos. Soam deste logo ritmos frenéticos que meteram aquela plateia a saltar e a gastar as energias que reservavam para o final de noite. Damon Albarn já mostrava entusiasmo ao cumprimentar aquela plateia repleta de sorrisos entusiásticos e mãos no ar. Denotava-se bastante a capacidade dos fãs em agarrar aquele momento como se fosse o último na atividade dos Blur. Já entrava “Beetlebum” como quarta num alinhamento de dezassete temas (sim, dezassete), e tudo parecia ter passado em poucos segundos. Os Blur tiveram uma grande entrega ao público português não abrandando um segundo com um coro acompanhado de riffs ardentes. Abrandando um pouco até “Coffee and Tv” na oitava posição, os Blur ganhavam novamente um ímpeto até “Tender” e “Country House” ajudadas por um público sempre disposto a cantar em uníssono. Damon já passava pelas mãos de uma plateia colocando uma coroa floral do público oferecida no festival.

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Chega-nos “This Is A Low” antes do encore. Dedicada aos portugueses e às suas descobertas em tempos no mar, puxada do seu “Parklife” ao ritmo do britpop. Já tinham passado treze canções por um público que desejava mais e mais. Aí surge um encore oferecido por “Under The West Way”, tema que dá nome ao seu mais recente trabalho, recebido por um público arrebatado por esta espera de uma década. “For Tomorrow” e “The Universal” davam o impasse para o tema mais esperado da noite. Um clássico dos Blur que incendiou gerações desde a década de 90 até aos tempos que correm. “Song 2” surge que nem uma bomba num estrondo onde aquele público levava o Parque da Cidade ao limite. O ambiente vivido era arrebatador. Simplesmente contagiante. Não foi o impacto desta distância de uma década entre um concerto e o outro que arrebataram a plateia. As sonoridades do rock dos Blur continuam bem presentes entre uma geração e outra. Contamos não esperar mais dez anos por um concerto como este.

Texto: Ana Camilo

Fotografia: Optimus oficial facebook (consulta a galeria completa)

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