Reportagem: 2º Dia Optimus Alive 2013

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Jurassic 5 dominam o segundo dia no Passeio Marítimo de Algés numa vigorosa lição de hip-hop.

Entravamos no segundo dia de festival com um recinto repleto de fãs mais nostálgicos do que os do dia anterior, e uma enchente entusiasmada com a programação do dia. Era notória a supremacia do público nostálgico, particularmente da vizinhança castelhana que já compunha a fila da frente do palco Optimus para marcar lugar naquele que seria o concerto mais esperado da noite, Depeche Mode.  

Mas enquanto a banda de Dave Gahan e Martin Gore não sobe ao palco, surgiam os Oquestrada a iniciar mais uma tarde de música no Passeio Marítimo de Algés. A comitiva portuguesa aquecia aquele palco com aquilo a que chamamos uma autêntica festa à portuguesa. Com os seus ritmos dançantes e energia contagiante, o público alinhava rapidamente neste arraial e dava um pézinho de dança ao som de temas como “Senhora do Tejo” ou “Oxalá”. O tempo era pouco, porém os novos temas não poderiam faltar em Oeiras e, “O Teu Murmurio” oferecia o mote para o final deste curto mas delicioso concerto dos Oquestrada.

Do outro lado, minutos antes de Oquestrada, surgiam os americanos DIIV que presenciavam o primeiro fluxo no palco Heineken. Tal como no dia anterior, um palco demasiado pequeno para as atuações de vastíssima dimensão do dia. Os tons de shoegaze já ecoavam através de riffs bem altos conexos com deslizes propositados nas suas sonoridades. Os DIIV foram recebidos por um público entusiasmado por ouvir algo novo, esperando aquela surpresa agradável.

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Virando os discos, abria-se espaço para os Jurassic 5 no palco Optimus. O regresso do grupo aos palcos internacionais foi estrondoso e o seu regresso aos discos é obrigatório. O grupo de hip-hop de Los Angeles voltou a juntar-se este ano e pisava agora pela primeira vez o solo lusitano. Sempre com o seu estilo hip-hop old school, muito ritmo, groove e boa disposição, faziam virar cabeças e captavam a atenção do público mais distraído.

“Improvise” do álbum “Quality Control” destacava-se no público mais jovem. Muitos gritos de euforia e corpos a dançar pelo recinto provaram que mesmo passados todos estes anos, os Jurassic 5 ainda conseguem animar multidões com o seu beat bem sólido e longe de estar abalado. Já este show de hip-hop à antiga ia a meio quando ocorria um scratch show de DJ Nu Mark e Cut Chemist a suscitar os delírios da multidão. Envergando adaptações de mesas de mistura, gira discos e drum machines ao pescoço, levavam o público ao rubro com a arte de veteranos que ainda praticam. Quando achávamos que as surpresas ficavam por ali, surgia ainda um gira-discos colossal que se encontrava no centro do palco. Inicialmente achava-se apenas mais um adereço, mas essa dedução era errada. Este era real e Cut Chemist e DJ Nu Mark faziam por lá uns bons spins. Com “Unified Rebelution” o grupo trazia a revolta ao recinto do Optimus Alive, apelando à força e luta pela liberdade, que muito diz ao estado de espírito dos demais. Havia ainda tempo para o bem conhecido “Concrete Schoolyard”, “In The House” e o muito pacífico “Freedom” que conduziam o público para o fim desta grande prestação pelos embaixadores do hip-hop de LA em Portugal.

Os Jurassic 5 conseguiram, definitivamente, a melhor atuação do dia com um hip-hop que, afinal, ainda não está perdido entre o pó do vinil lá de casa.

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A espera não foi longa até à entrada dos Editors e o seu regresso a Portugal. A banda alternativa britânica trouxe a esta 7ª edição do festival o seu mais recente trabalho, “The Weight Of Your Love”. Deve sublinhar-se que, apesar de curto, o concerto de Editors teve momentos de intensidade, mas sempre dentro do expectável. Tom Smith, sempre com muita garra e sentimento, arrepiava até os corações mais frios. Deixando parte de si em cada tema e uma interpretação convincente, a prestação dos Editors pode ser descrita como um shot de emoções. “Eat Raw Meat = Blood Drool” e a imponente “Smokers Outside Hospital Doors” despertavam a multidão para aquele impasse que viria de seguida com Depeche Mode. O final do concerto ficava marcado por uma versão alargada de “Papillon”.

Após o concerto de Editors, mergulhamos na confusão intitulada de Depeche Mode. Enquanto uns tentam chegar o mais possivel perto do palco, outros dirigem-se para os restantes palcos ou até mesmo para a zona da restauração na esperança de conseguirem comer qualquer coisa antes do grande momento que se aproximava. Denotavam-se uma onda de t-shirts dos Depeche Mode a dirigirem-se para o palco, algumas envergadas como herança por várias crianças.

E como ainda havia um curto espaço de tempo, dávamos assim uma corrida até ao palco Heineken onde tocavam os portugueses Capitão Fausto. Ao chegarmos à tenda encontramos um psicadelismo com “Raposa II”. Surgia ainda “Chifre” e o contagiante “Teresa” que conduzia o público a cantar este lirismo em “Põe o maço na mesa, mão na Teresa e os pés no chão/ Tu vais acabar presa por querer tanta atenção.” E com esta festa já estava na hora dos Depeche Mode no palco Optimus, acompanhada de uma correria até ao centro das atenções pelas 22 horas.

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Os sons electrónicos inundavam imediatamente a capital portuguesa e já se ouvia Dave Gahan a declarar um “bem-vindos ao meu mundo”. Entravamos no território pop dos Depeche Mode.

A primeira faixa de Delta Machine, o 13º álbum da banda, dava o mote para duas horas de música, dança, psicadelismo e arte visual por parte da banda britânica. Seguiam-se “Angel” e “Walking In My Shoes” que firmavam a presença e impacto da banda na audiência. “Black Celebration” continuava a arrancar cânticos do público em uníssono e Gahan mostrava o seu entusiasmo com o público português. Com aquela maquilhagem bem carregada, os seus jeitos exagerados e teatrais, exibiam a sua excentricidade e o seu desejo por contacto com o público. A força, pujança e ponta de demência de Gahan deixam o público feminino ofegante. “Já posso morrer feliz!” e “Casa comigo!” foram algumas das reações que se fizeram ouvir do público feminino que ali se encontrava. 

Sempre conduzido pelos ritmos eletrónicos, o público chegava já embalado e extasiado aos grandes clássicos como “Enjoy The Silence” que marcava o melhor e mais belo momento da noite, e “Personal Jesus” que se apresentou com uma versão mais acústica liderada pela guitarra eléctrica com um som western de Martin Gore e entra triunfante no riff que é bem conhecido por todos, ouvindo-se um gigante “Reach out and touch faith” acompanhado em unissono. O tema mais esperado da noite chegava como se de um hino de uma nação se tratasse, numa heterogeneidade de gerações. E chegávamos ao encore. O público aguardava já impaciente o regresso da banda.

 O comité inglês regressava com “Home”. E imediatamente rematava com Just Can’t Get Enough que convidou instantaneamente o recinto a levantar-se do chão e a iniciar a frenética dança liderada por este som febril da disco. A reta final dava-se com “Taking A Ride With My Best Friend”, e assim chegava ao fim este ótimo concerto. Muita satisfação na cara dos fãs da banda e muitos comentários positivos acerca do espetáculo em si, era o que se presenciava numa multidão que se separava novamente pelo recinto.

Para terminar este segundo dia deste festival de música e arte, para os que ainda ficavam pelo recinto, era a hora de acalmar com os 2 Many Djs no Palco Optimus. A dupla inglesa aquecia o final de noite rodando alguns sonoros mais densos como Ace Of Spades dos Motorhead e Breed dos Nirvana.

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Do outro lado, muitos aderiam às sonoridades ecléticas de Paulo Furtado, no seu regresso ao Palco Heineken do Optimus Alive. Os êxitos não faltavam e Tigerman, como sempre, deixava a sua marca em mais um excelente concerto.

O Optimus Alive encerra hoje a sua 7ª edição com Kings of Leon como cabeças de cartaz.

Texto: Filipe Botas

Fotografia: Optimus Alive oficial facebook (consulta a galeria)

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