Reportagem: Skunk Anansie no Festival do Crato

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Skunk Anansie conquistam o Crato com uma impetuosidade feroz no último dia do Festival do Alto Alentejo.

No quarto e último dia do Festival do Crato, a vila do Alto Alentejo somou um total de 52 mil pessoas numa edição de peso encerrada pelo regresso dos britânicos Skunk Anansie a Portugal.

Quando um festival low cost oferece qualidade como este, é de esperar que o recinto receba uma calorosa massa humana no dia em que os cabeças de cartaz são considerados uma das mais épicas bandas de rock alternativo, introduzidas nos últimos 19 anos. O “Skunk Army”, como se lia numa das faixas da primeira fila, apresentava-se cedo para assistir ao último concerto inserido na tour de verão da banda britânica. Uma audiência marcada por diversos elementos internacionais que esperavam ansiosamente pela entrada da icónica Skin em palco.

Mas antes, a abertura do palco pelas 22 horas ficava a cargo de mais uma banda regional. Desta vez, os Spinning Sparks. A banda que regressava aos palcos após uma paragem de 4 anos com riffs poderosos de rock n’ roll, os quais atraiam as atenções para mais um início de festival.

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Já a meio da noite, surgia em palco o rock popular dos Diabo na Cruz. A festa estava lançada com os ritmos vibrantes que provocavam os primeiros passos de dança do dia numa plateia que se aproximava à medida que a diversão aumentava. Estes são os Diabo na Cruz. Uma representação da cultura portuguesa em formato musical. Com uma plateia entusiasta, Jorge Cruz abria espaço para os coros participativos das mulheres na plateia e palmas a acompanhar. Lá para o meio surgiam temas como “Siga A Rusga” onde o vocalista saltava de ponta em ponta do palco terminando a sua primeira parte por volta da meia-noite. A multidão estava ainda longe da exaustão e a exaltação continuava pronta para mais um abanar de anca. Abria-se assim espaço para um encore com “Bico de um Prego” e “Bom Tempo”, onde ecoavam assobios para uma banda que “poderia ser foleira ou não”. Depois de tanta dança do vira, os Diabo na Cruz despediam-se de uma plateia bem quentinha.

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00:40, as luzes apagam, o vídeo de apresentação surge com o mix de abertura já habitual e um êxtase contagiante por parte da plateia. Sabíamos de imediato que estava na hora. E é neste cenário que entra Skin de microfone bem fixo, envergando um vestuário brilhante que refletia a atuação que ainda estava para vir. A carismática vocalista da banda não poupava nem um pouco de energia ao entrar em palco com uma devoção incrível ao som de “Skank Heads”. Numa questão de segundos, Skin já haveria corrido todo o palco acompanhada por uma ovação enorme daquela plateia deliciada de braços esticados e saltos, para aquele que seria o melhor concerto da sua digressão de Verão, afirmava. Este autêntico bicho de palco começava por deixar já bem assente quem eram os Skunk Anansie. “I Will Break You” assinalava a primeira descida do palco enquanto cantava o refrão sustentada pelas mãos das dezenas de fãs junto à grade. O impacto desmedido deixava marcas de estupefação na cara de muitos dos que se encontravam perto da cantora britânica. No final de “I Believe In You”, o agradecimento já era em português, redobrado várias vezes ao longo de uma noite que estremeceu a vila Alentejana.

Para quem acreditava em um Deus, a “God Loves Only “ era-lhes dedicada por uma artista sedenta por mais um pouco de adrenalina. E eis que surge “Secretly”, que anunciava o aniversário de Cass Lewis, baixista da banda que prometia um concerto especial e um canto de parabéns mais tarde pelo encore. O novo regresso a “Post Orgasmic Chill” conduzia a plateia a cantar em uníssono um refrão presenteado por Skin de este que já se considera um tema intemporal na carreira da banda, enquanto a vocalista tocava pandeireta com uma manifestação emotiva no olhar.

Os Skunk Anansie estavam ali com a missão de deitar a casa abaixo, e as baladas eram só um complemento de um rock alternativo à séria. Estava na altura de colocar a multidão a saltar com “Twisted” e dar mais um mergulho pelos braços de quem prometera cuidar bem dela. Soltavam-se intensos solos de Ace na guitarra, mas os olhares estavam postos até ao final no desassossego que era a performance de Skin. Não havia espaço para arrefecer, nem pilhas gastas. Havia energia com “My Ugly Boy” onde a vocalista já afirmava que o público português era fantástico, colocando pela primeira vez e única vez a guitarra ao ombro na interpretação de um tema sobre sexo. Com o concerto a meio na sua setlist, a próxima aposta inseria “Hedonism” no baralho de êxitos, cantada de pulmão cheio por uma multidão magnetizada. A situação politica e económica mundial subia à ribalta pela primeira vez em “This Is Not a Game” e mais tarde em “Yeah, It’s Fucking Political” com Mandela no background, onde a porta-voz afirmava que a banda é “acusada de ser demasiado política”, em sonoros de sedição e entoação de manifesto bem recebidos pelo público português.

A terminar para encore, sobrevinha mais um clássico enérgico que todos bem conheciam. “Charlie Big Potato” marcava o final de uma hora e dez de intensidade e insanidade saudável por parte de uma banda que, apesar de uma pausa de 8 anos, não exibe nem um sinal de ferrugem.

O encore ao som de cânticos de futebol já ecoava no recinto quando “Tear The Place Up” iniciava mais uma corrente de rock em três canções que arrastaram uma viagem no tempo, com espaço para um agradecimento especial pelo apoio nos seus 19 anos de carreira. “You’ll Follow Me Down” conquistava assim o prémio de momento da noite, entre um mar de luzes e refrões sentidos.

Para terminar uma atuação colossal, os Skunk Anansie mostraram novamente de que massa são feitos, com nova descida ao público por parte de Skin, que percorreu todo o recinto num corredor central projetado à medida e com regresso ao palco nos braços de uma multidão arrebatada.

Texto: Ana Camilo

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