Ricardo Gordo – Fado Metal (Review)

Ricardo Gordo

Enigma, suspense e subtileza consideram-se analogias, num disco em que Ricardo Gordo guia uma melodia da pesada com a delicadeza de uma guitarra portuguesa. “Fado Metal” transporta mais do que riffs veementes de uma guitarra rompante, onde uma conexão inesperada se restringe a pura arte incógnita.  

Ricardo Gordo, com 26 anos de idade, é músico português com raízes na cidade de Portalegre, em pleno Alto Alentejo. Com início de carreira em vários projetos, sempre ligado ao heavy-metal, Ricardo entra para a Escola Superior de Artes em Castelo Branco, onde inicia a sua viagem pelo mundo da guitarra portuguesa. Bem ao tom lusitano, o músico formava assim este novo projeto entre a guitarra portuguesa e a guitarra elétrica. Em 2011, surge o primeiro trabalho de originais do artista intitulado de “Serendípia”. No ano seguinte, Ricardo lançava o seu mais recente trabalho, “Fado Metal”, que contou com apresentações no Museu do Fado e, na última edição do Festival do Crato.

Ingressando neste domínio onde o fado e o metal fazem pacto, Ricardo move uma vertente ainda não explorada em Portugal, na qual a música tradicional se une com um registo distinto e visivelmente mais pesado. Observa-se este tipo de conexão em projetos como os Dropkick Murphys ou os Flogging Molly, que foram peritos na fusão entre o streetpunk e a música tradicional irlandesa, arrastando os seus bandolins e gaita-de-foles para um cenário irreverente.

Ricardo poderia ter alterado o choro de uma guitarra portuguesa num riff fogaz de heavy-metal, como vulgarmente se faria numa sessão de jamming. Contudo, o músico desenvolve uma conceção que invoca o sentimento indecifrável que apenas a guitarra portuguesa conhece.

Em a “Pastora de Portalegre”, o músico conduz uma sonoridade misteriosa, guia de um percurso coeso que se inicia numa dramatização que desvanece ao longo da faixa. Imediatamente, “Melancolia” transita pela perspicuidade que o próprio nome indica, com a intervenção de uma penetrante voz feminina que ilumina um instante harmonioso.

“Fado Metal” foi o tema escolhido para dar nome a este EP que marca o segundo trabalho do músico. Melodicamente mais acelerado e veemente, o tema encaminha uma musicalidade celta, que caracteriza justamente uma viagem de regresso à Idade Média.

Surgem ainda “Pastor do Mar”, com direito a vocais e harmonia oposta às anteriores e, variações em Ré, que traz outro desembaraço a estas melodias, sendo a que mais se assemelha ao fado tradicional luso.

Ricardo Gordo encaminha musicalidade vanguardista inserida num desconhecido aprazível.

Faixas favoritas: Pastora de Portalegre; Fado Metal

– Ana Camilo

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